Hoje faço uma postagem a um dos caras que tenho orgulho de dizer que admiro. Apesar dos pesares, ele tinha amor pelo que fazia e sempre viveu a vida com a intensidade necessária para marcar a memória de muitos.Concordo que toda essa intensidade acabou por mata-lo, mas acredito que não o admiraria se ele tivesse seguido os padrões que lhe impuseram. Até porque ele não teria sido a personalidade que foi e ainda é, se tivesse sido apenas mais um burguesinho acomodado.
Hoje irei falar do Poeta do Rock nacional, irei falar daquele que nunca seguiu as regras e que marcou seu nome na história da música popular brasileiro por isso.
Cazuza:

Nascido em 4 de abril de 1958 foi batizado com o nome de Agenor de Mirando Araújo Neto, sempre preferiu o apelido Cazuza. Foi criado em Ipanema. O pai era divulgador da gravadora Odeon e a mãe era costureira. Cazuza era muito apegado a avó Dona Alice e foi uma criança calma.
Na adolescência o gênio rebelde começou a se manifestar. Após terminar o ensino médio com muito esforço, prestou vestibular para Comunicação porque o pai o prometeu um carro, desistiu antes de 1 mês de aula.
Um boêmio nato, viva com o lema "sexo,drogas e rock 'n' roll". Amava Jimi hendrix, Janis Joplin e os Rolling Stones. Foi para na prisão algumas vezes tirando muitas vezes seu pai no meio da madrugada da cama para livra-lo. Chocou os pais com a noticia de sua bisexualidade.
Em 1976 seu pai arrumou um emprego para ele na gravadora Som Livre onde era presidente. Lá ele passou pelo departamento artístico na triagem de fitas e na assessoria de imprensa. Na gravadora RGE arriscou alguns passos como fotógrafo, mas nada disso o satisfazia.
Em 1981 Cazuza foi apresentado para Roberto Frejat, Dé e Maurício Barros e Guto Goffi por Léo Jaime. Os meninos estavam procurando um vocalista, e Cazuza tinha o timbre berrado que era adequado para o rock de garagem que os quatro faziam. Muito animado com tudo isso, Cazuza resolveu mostrar as letras que compunha fazia algum tempo, e então a banda Barão Vermelho que tocava apenas covers passou a compor e produziu seu próprio repertório.
Não demorou muito para o sucesso. No início de 1982 um fita demo foi parar nas mãos de Ezequiel Neves que mostrou para Guto Graça Mello diretor artístico da Som livre. Juntos convenceram o pai de Cazuza que era presidente da Som Livre a lançar a banda. Que foi muito bem recebida pelos artistas. Entre eles Caetano Veloso que inclui " Todo Amor Que Houver Nessa Vida" ao seu repertório.
Esse primeiro disco trazia um rock básico, dançante e juvenil com sucessos como Down em mim, Billy Negão e Bilhetinho azul. Porém não trazia o blues, gênero que Cazuza se identificava muito desde que conheceu Janis Joplin.
O segundo foi lançado em Julho de 1983. O álbum não foi um sucesso comercial, vendendo apenas 15 mil cópias, mas trazia o mesmo nível de repertório do álbum anterior e conseguiu conquistar novos fãs com as músicas Vem Comigo, Carne de Pescoço, Carente Profissional e Pro Dia Nascer Feliz. Essa ultima se tornou um grande sucesso na voz de Ney Matogrosso que foi a primeira estrela da MPB a grava-la além de consolidar a dupla Frejat-Cazuza.
Bete Balanço que foi feita especialmente para o filme homônimo de Lael Rodrigues levou a a banda ao seu grande publico. A música foi incluída no terceiro disco para ajudar a comercialização, coisa que talvez nem fosse necessária pois o disco impulsionado pela faixa Maior Abandonado atingiu em 2 meses a marca de 60 mil cópias.
Cazuza depois de músicas como Maior Abandonado, Por Que A Gente É Assim ?, Milagres e muitas outras passou a ser considerado
um poeta do rock nacional. Com isso e com as suas atitudes irreverentes, ele foi ganhando cada vez mas atenção, tanto para ele quanto para a Banda.
Com tudo isso a acontecendo a banda foi ficando cada vez mais famosa, então começaram a vir cada vez mais exigências e responsabilidades. A personalidade incomoda de Cazuza não se aderia a isso, o que acarretou alguns desentendimentos. Em julho de 1985 aconteceu o inevitável, eles anunciaram que sua estrela seguiria carreira solo.
Gravados com outros músicos, o álbum "Cazuza" foi lançado em novembro de 1985 e mostrou um tipo de sonoridade mais limpa que a de Barão.
Ao contrário do que muitos pensam, mesmo depois da separação de Cazuza com a banda, ele e Frejat continuaram muito amigos e continuaram a compor juntos. Outro que continuou amigo de Cazuza mesmo depois da separação foi Ezequiel Neves que se tornou co-produtor de nosso querido.
O segundo disco solo de Cazuza foi lançado em 1987 com o nome de Só Se For A Dois e foi o primeiro álbum fora da Som Livre. Disputado por varias gravadoras, se transferiu para a Polygram, por conselho de seu pai. A separação com o Barão Vermelho e a liberdade artística que tanto queria trouxeram mais seriedade para ele. Esse segundo disco acrescentou novos sucessos, a começar pela canção homônima que estourou, outras músicas como O Nosso Amor A Gente Inventa, também fizeram grande sucesso. Em seguida lançou a turnê nacional e mostrou um show muito bem estruturado em questão de cenário e iluminação. Cazuza se aprimorava e os seus shows estavam cada vez mais lotados e a critica elogiava seu trabalho.
Entretanto nessa época, ele já sabia que era soro positivo. Antes de estrear os Show Só Se For A Dois, havia adoecido e refeito o exame que confirmou a doença.
Em 1987, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, onde passou 2 meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT. Quando voltou gravou Ideologia no início de 1988, que foi um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e claro pela sua definitiva consagração artística. O disco vendou mais de meio milhão de cópias. O disco mostrou um conjunto denso de canções e expressou o processo de maturação do artista. Trazendo sucessos como Ideologia, Boa Novas, Blues Da Piedade, Faz Parte Do Meu Show e ainda Brasil que fez um sucesso grandioso na voz de Gal Costa.
Ainda em 1988 recebeu o Prêmio Sharp de Música como Melhor Cantor Pop-Rock e Melhor Música Pop-Rock com Preciso Dizer Te Amo. No segundo semestre lançou o show Ideologia que foi dirigido por Ney Matogrosso, onde buscou valorizar o texto, pontuado pela palavra VIDA. Também substituiu a catarse de suas performances por uma postura mais contida.
Lançado no início de 1989 Cazuza Ao Vivo - O Tempo Não Pára chegou ao índice de 560 mil cópias vendidas. Reunindo os maiores sucessos do artista, trouxe duas canções inéditas Vida Louca Vida, de Lobão e Bernado Vilhena, e O Tempo Não Pára de Cazuza e Arnaldo Brandão. A segunda condensou muito da emoção individual de quem lutava para se manter vivo com a condição do povo brasileiro.
Neste mesmo ano pouco depois do lançamento do álbum ele reconheceu publicamente que estava com Aids sem assim a primeira personalidade brasileira a fazê-lo. Conforme seu estado piorava ele metia a cara no trabalho, entrando em um processo compulsivo de composição e então gravou um disco no começo de 1989 o álbum duplo Burguesinha que seria seu derradeiro registro discográfico em vida. Não obteve sucesso comercial e foi recebido discretamente pela crítica.
Em 1989Depois de quatro meses de um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março de 1990. Seu estado já era muito delicado e àquela altura, não havia muito mais o que fazer. Foi então que ele morreu pouco depois em 7 de julho de 1990.
Cazuza - Ideologia

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